Luan Dias
Em política, nem toda força precisa ser demonstrada no grito. Há quem prefira ocupar o espaço pelo discurso mais duro, pela confrontação ou pela tentativa de impor uma sensação de vitória antes mesmo de a disputa terminar. Mailza Assis parece ter escolhido outro caminho.
Enquanto parte dos apoiadores de adversários, especialmente de Alan Rick, já fala como se a eleição estivesse decidida, Mailza continua fazendo aquilo que tem marcado sua trajetória: andando, conversando e ouvindo com serenidade.
É vista nos bairros de Rio Branco, nos mercados, nas reuniões com empresários, produtores, trabalhadores e lideranças comunitárias. Vai também ao interior. Cumprimenta quem encontra, para para conversar e segue quase sempre com o mesmo sorriso no rosto.
Pode parecer pouco diante da grandiosidade de uma eleição para o governo. Não é.
Há uma dimensão da política que não cabe nas pesquisas nem nos grandes discursos. É aquela construída no contato diário, na capacidade de olhar para as pessoas sem transformar cada encontro em uma encenação.
Mailza possui uma característica difícil de fabricar em campanha: simplicidade.
E talvez seja justamente essa simplicidade que faça sua imagem ganhar força.
Não se trata de uma mulher que chegou até aqui sem enfrentar obstáculos. Ao contrário. O caminho percorrido até o comando do Estado exigiu resistência, articulação e capacidade para suportar uma atividade política que continua sendo particularmente dura com as mulheres.
Por isso, seria um erro confundir o jeito tranquilo com falta de firmeza.
Existe uma mulher forte por trás do sorriso.
Uma mulher que aprendeu a conviver com as responsabilidades do poder sem necessariamente incorporar a distância que o poder costuma criar. Governadora, candidata, liderança política – mas ainda capaz de entrar em um mercado, percorrer uma rua ou conversar com alguém de maneira aparentemente comum.
Isso tem peso num estado como o Acre.
A história acreana foi construída por gente acostumada a enfrentar distância, dificuldade e isolamento. Há algo muito próprio daqui na ideia de continuar caminhando mesmo quando o caminho não é fácil.
Mailza começa a representar um pouco desse imaginário.
Não a figura da heroína inalcançável, fabricada para o palanque, mas a imagem mais próxima da mulher acreana que conhece dificuldades, que precisa ser firme sem perder a sensibilidade e que aprendeu a transformar resistência em virtude.
É nesse ponto que sua trajetória política ganha uma dimensão que vai além do cargo.
Há nela uma mistura interessante entre delicadeza e resistência. Entre o sorriso fácil e a responsabilidade pesada que carrega. Entre a mulher simples que conversa com as pessoas e a governadora obrigada a tomar decisões que atingem todo um estado.
A campanha ainda terá muitos capítulos. Haverá confrontos, cobranças, pesquisas favoráveis e desfavoráveis, erros e acertos. Eleição nenhuma deveria ser tratada como decidida antes do encontro do eleitor com a urna.
Mailza parece compreender isso.
Enquanto alguns celebram antes da hora, ela continua andando.
Talvez porque saiba que, na política, a confiança das pessoas não se decreta. Conquista-se.
Rua por rua. Bairro por bairro. Município por município.
Sem abandonar o sorriso.
E sem perder aquilo que, até aqui, talvez seja uma de suas maiores forças: continuar sendo simples quando o poder poderia tê-la feito diferente.
