Sexta-feira. A gente senta para descansar, pega o celular e começa a passar os vídeos. Um engraçado, uma notícia, uma receita que provavelmente nunca vai fazer. Quando olha o horário, passou muito mais tempo do que imaginava. Sim, eu também estou nessa.
Tudo bem se distrair. O que me chama atenção é como está ficando difícil fazer uma coisa de cada vez, mesmo quando escolhemos aquela coisa porque gostamos dela.
Assistimos a um filme com outra tela nas mãos. Perguntamos como alguém está e olhamos uma notificação no meio da resposta. Começamos uma leitura, chega uma mensagem, abrimos outra coisa. Depois, custa lembrar onde paramos.
O telefone tem uma boa justificativa para estar sempre por perto. É por ele que trabalhamos, resolvemos problemas e sabemos da família. O difícil é perceber em que momento a necessidade acaba e começa o hábito de conferir se há alguma novidade.
Nas conversas, isso fica evidente. Quem estava contando uma história percebe o olhar distante, perde o entusiasmo e abrevia: “Mas é isso. Depois eu te conto”. Talvez o assunto nem volte. E nós podemos estar dos dois lados: de quem perdeu a atenção e de quem ficou esperando por ela.
Ninguém precisa passar um encontro inteiro sem consultar o telefone. Mas precisamos mesmo atender a cada sinal dele? Até quando não estamos esperando nada?
A distração foi ganhando espaço na mesa, no sofá, na visita. Fomos nos acostumando a conversar pela metade e ainda dizer: “Pode falar, estou ouvindo”. Até chegar a hora de perguntar alguma coisa que a pessoa acabou de explicar.
Não escrevo isso como quem resolveu o problema. É uma reflexão que serve para mim também. Gosto das facilidades da tecnologia, mas quero perceber melhor quando ela facilita minha vida e quando está tomando conta de um tempo que eu gostaria de viver de outro jeito.
Nesta sexta, talvez a gente encontre alguém que não vê há dias. Vai perguntar sobre a semana, ouvir uma novidade, começar a contar alguma coisa. Em algum momento, um dos celulares vai acender.
Sextou! Vamos deixar o celular sem assunto e colocar a conversa em dia — quem sabe, ao sabor de uma boa xícara de café? Quem está na nossa frente merece mais que uma curtida ou emojis.
Fica a dica — para mim também!
