Com as 24 vagas da Aleac conquistadas por homens, eleição provoca uma reflexão sobre a participação feminina nos espaços de decisão.
As eleições deste domingo, 4 de outubro, deixaram uma pergunta que merece permanecer no debate público: o que significa para o Acre uma Assembleia Legislativa sem nenhuma mulher eleita?
As 24 vagas ficaram com homens. Antonia Sales, Maria Antônia e Michelle Melo, que atualmente integram o Parlamento estadual, não conseguiram renovar seus mandatos. A representação feminina, que já era pequena, passará de três deputadas para nenhuma entre os eleitos para a próxima legislatura.
Para além das vitórias e derrotas individuais, o resultado chama atenção para a distância entre a presença das mulheres na sociedade e sua participação no poder. Elas trabalham, empreendem, lideram comunidades, sustentam famílias e participam das campanhas. Na nova composição eleita da Aleac, porém, nenhuma terá assento para votar as decisões que também afetam suas vidas.
Respeitar a escolha dos eleitores e refletir sobre esse cenário são atitudes compatíveis. A legitimidade dos mandatos não elimina uma questão importante: quanto um Parlamento perde em diversidade de experiências quando nenhuma mulher consegue chegar até ele?
Homens também têm responsabilidade na defesa dos direitos das mulheres. Mas a possibilidade de defender uma pauta não substitui o direito de quem vive aquela realidade participar diretamente das decisões. Ter voz em uma audiência e ter voto no plenário são formas diferentes de exercer influência política.
O resultado também convida os partidos a olhar para dentro. Qual espaço as mulheres ocupam na definição das estratégias? Que apoio recebem para construir candidaturas competitivas? Quanto do discurso de incentivo à participação feminina se transforma em compromisso durante a campanha?
Não há uma explicação única que possa ser extraída das urnas. Compreender esse cenário exige examinar recursos, estruturas partidárias, trajetórias e condições de disputa. Reduzir a discussão à ideia de que “mulher não vota em mulher” transfere às eleitoras uma responsabilidade que precisa ser compartilhada por toda a sociedade.
Há, ainda, uma dimensão que ultrapassa os próximos quatro anos: o exemplo oferecido às novas gerações. Que mensagem uma menina recebe quando olha para o Legislativo de seu estado e não encontra nenhuma mulher entre os representantes eleitos?
A eleição terminou, mas essa reflexão precisa começar. O Acre preencheu todas as cadeiras da Assembleia, mas deixou a representatividade sentada do lado de fora.
