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Entre o trio elétrico e o altar: quando o Carnaval silencia o sino da igreja

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Em Cruzeiro do Sul, município localizado no interior do estado do acre do Acre, parece que o calendário litúrgico resolveu tirar férias — e justamente no Carnaval. A notícia de que uma missa será cancelada para dar lugar (ou não “atrapalhar”) a programação carnavalesca é, no mínimo, curiosa. Ou melhor: é tragicômica.

Afinal, estamos falando de uma cidade onde o som do trio elétrico agora parece ter mais autoridade que o badalar do sino. Se antes o “ide por todo o mundo e pregai o evangelho” ecoava com firmeza, hoje talvez precise primeiro consultar a agenda de eventos da cidade para saber se há disponibilidade de horário.

É difícil não recorrer à ironia diante da cena: a fé cristã, que atravessou perseguições no Império Romano, sobreviveu a guerras, enfrentou regimes totalitários e resistiu ao escárnio de séculos, agora precisa se ajustar ao cronograma do palco principal. Se depender de certas decisões.

A insatisfação de muitos fiéis não nasce de uma disputa com a festa popular — o Carnaval, goste-se ou não, faz parte da cultura brasileira. O problema é a falta de sensibilidade das autoridades envolvidas na organização do evento, que parecem tratar a celebração religiosa como um detalhe secundário, um ruído a ser eliminado para não competir com a folia. Como se a manifestação de fé fosse um obstáculo logístico.

Mais preocupante, porém, é o silêncio de muityos. Se a Igreja, que prega firmeza nos mandamentos e na ordem bíblica, aceita que uma celebração considerada por muitos como profana tenha prioridade sobre a Santa Missa, que mensagem está sendo transmitida aos fiéis? Que a fé é negociável? Que o altar pode esperar, mas o palco não?

A Bíblia é clara ao afirmar: “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:33). A prioridade não é cultural, nem política, nem festiva — é espiritual. Quando essa ordem se inverte, algo está fora do eixo.

Não se trata de demonizar a alegria, a música ou o encontro social. O próprio Cristo participou de festas, como nas bodas de Caná (João 2:1-11), onde realizou seu primeiro milagre. Mas há uma diferença entre estar presente no mundo e permitir que o mundo dite as regras da fé. Jesus transformou água em vinho, mas não transformou o templo em palco — ao contrário, expulsou os vendilhões quando percebeu que a casa de seu Pai havia perdido o foco (Mateus 21:12-13).

Ser cristão é, acima de tudo, não se envergonhar do evangelho (Romanos 1:16). É compreender que a obra de Cristo não pode ser interrompida por conveniências circunstanciais. É lembrar que “importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5:29).

Se a missa precisa ser cancelada porque o som do Carnaval é alto demais, talvez o problema não esteja apenas no volume das caixas, mas na intensidade da convicção. Porque quando a fé é prioridade, ela não compete — ela permanece.

Que a reflexão fique: em meio aos confetes e serpentinas, quem está no centro da cidade — e do coração? O trio elétrico ou o altar?

Por: Erisney Mesquita, jornalista chefe do AgoraAcre.com

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