Na manhã desta sexta-feira, 25, foi lançado oficialmente no Cine Romeu, em Cruzeiro do Sul, o documentário Marcas do Preconceito – a História Recontada por Quem Viveu, um projeto que emocionou o público presente, especialmente os alunos do Colégio Militar Dom Pedro II (CMDP II), que foram convidados a prestigiar a sessão.
Idealizado e produzido pela jornalista Vanisia Nery, o filme resgata, com sensibilidade e profundidade, as memórias das vítimas da hanseníase e seus familiares, abordando o sofrimento causado pela doença e as marcas profundas deixadas pelo preconceito social na época. O documentário também oferece informações relevantes sobre o tratamento da hanseníase e os avanços conquistados com o tempo.
Marcas do Preconceito: a História Recontada por Quem Viveu é fruto de um projeto contemplado pela Lei Paulo Gustavo, com apoio do governo Federal e do Estado, por meio da Fundação Elias Mansur (FEM).
Durante o evento, a emoção tomou conta da plateia. Izamildes Ferreira, professora da escola e filha de um ex-interno de colônia, compartilhou seu relato pessoal, destacando as dores invisíveis causadas pelo estigma: “É de suma importância para nossa sociedade, principalmente para os adolescentes. Meu pai foi separado quando eu era bebê, mas o preconceito a gente sentia na pele. Ninguém queria se aproximar da gente, nem os colegas de escola, por causa da ignorância em torno da hanseníase. Nós, filhos, não tínhamos a doença, mas sofremos uma bem pior: o preconceito”, relatou.
O estudante Hudson Cauã reforçou o papel transformador do documentário. “É de extrema importância, pois muitas pessoas desconhecem o problema. O filme nos faz compreender como essa realidade afeta diretamente a sociedade, dando voz a quem sofreu e sofre até hoje”, expôs.
Gustavo Matos, que também é estudante do CPDM II, ressaltou o valor educativo da obra. “É muito importante para disseminar conhecimento dentro das escolas. A gente entende melhor o quanto o preconceito foi e ainda é doloroso para tantas pessoas. Hoje sabemos que existe tratamento, e que o maior desafio continua sendo o julgamento da sociedade”, observou.
O coordenador local da FEM, Adegildo Rebouças, destacou a relevância da iniciativa no fortalecimento da memória e na formação de consciência crítica entre os jovens. “A Fundação Elias Mansur tem o papel de apoiar e valorizar projetos como esse. A Lei Paulo Gustavo veio justamente para fomentar essas produções, que mostram a realidade, resgatam o passado e transformam o conhecimento das novas gerações. Esse curta foi muito bem executado. Parabéns à equipe”, proferiu Adegildo.
Vanisia Nery celebrou a realização do evento e reforçou a importância de democratizar o acesso à obra. “Apresentamos hoje um documentário que conta uma história importante. Falamos das vítimas, dos filhos separados, das lutas pela reintegração e do tratamento da doença. Foi um momento de reflexão e aprendizado, principalmente para os jovens. Quem não pôde comparecer, assista gratuitamente pelo YouTube, no canal @vanisianery”, informou.
Veja o documentário
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Redação AgoraAcre / Foto de capa: cedida



