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Mais de 40 etnias indígenas do Brasil e do Peru se reúnem em Cruzeiro do Sul para debater a sobrevivência dos povos no território amazônico

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Durante conferência que reúne povos indígenas do Brasil e do Peru, realizada em Cruzeiro do Sul, o líder indígena Teyako Piyãko, liderança do povo Asháninka, destacou a importância da união entre comunidades para enfrentar ameaças aos territórios tradicionais.

Representante da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, na fronteira com Marechal Thaumaturgo, Teyako ressaltou que o encontro já acontece há vários anos e se consolidou como um espaço estratégico de articulação entre os povos dos dois países.

“Essa já é a décima reunião. Aqui discutimos temas que são de interesse direto das nossas comunidades, como a proteção dos territórios, dos nossos direitos e da nossa liberdade como povo”, afirmou.

Segundo ele, a conferência também tem o papel de dar visibilidade às ameaças enfrentadas na região e fortalecer a organização das comunidades para dialogar com os governos. Ao final de cada encontro, é elaborado um documento com os principais encaminhamentos e preocupações dos povos indígenas.

Teyako destacou que a atuação das comunidades vai além da defesa dos próprios territórios, contribuindo também para questões globais, como a preservação ambiental e o enfrentamento das mudanças climáticas.

“Estamos cuidando das nascentes dos rios, da biodiversidade. Isso não beneficia só os povos indígenas, mas toda a sociedade”, enfatizou.

Entre os principais temas debatidos estão as invasões territoriais e a construção de uma estrada no lado peruano, considerada uma ameaça pelas comunidades locais. Segundo o líder, a obra pode facilitar a entrada de atividades ilegais na região.

“Uma estrada abre caminho para muitas coisas irregulares, como invasões, exploração dos recursos naturais e até o narcotráfico. Nós não somos contra o desenvolvimento, mas queremos respeito e diálogo”, alertou.

Ele reforçou que os povos indígenas buscam soluções pacíficas e o cumprimento dos seus direitos, evitando conflitos. “Nós respeitamos o território dos outros, mas também queremos que respeitem o nosso. Estamos buscando caminhos para garantir que isso não gere problemas maiores no futuro”, concluiu

Com informações do Jurua24horas

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