Proposta do economista André Lara Resende, que entende juros da dívida como problema maior que déficit primário, repercute na Faria Lima nos últimos dias
Uma proposta do economista André Lara Resende, um dos pensadores por trás do Plano Real, para baixar a taxa básica de juros no curto prazo repercutiu durante o final de semana entre operadores de mercado e causou apreensão sobre o rumo da política fiscal no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva(PT).
Isso porque o diagnóstico de Lara Resende difere da visão predominante na Faria Lima de que o governo precisa reduzir o gasto primário (despesas que não incluem pagamento de juros) para equilibrar as contas públicas. Em artigo publicado em setembro, o economista argumentou que o desequilíbrio fiscal é, na realidade, culpa da alta taxa de juros da dívida, o que estrangula a capacidade do governo de investir e estimular o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto).
A ideia ganhou o apoio de figuras influentes na cúpula petista – como Gleisi Hoffmann, cotada para voltar à Esplanada como ministra do Desenvolvimento Social –, já que permitiria ao governo Lula 4 manter os benefícios sociais sem precisar fazer cortes ou aumento de impostos.
Já a própria Fazenda, na figura do ministro Dario Durigan, disse que o plano está fora de cogitação. Internamente, a equipe econômica tenta conter a desconfiança de um mercado que já teve sua pior semana pós-eleição desde a redemocratização, em 1989, enquanto Lula, avesso à contração fiscal, decide quem será o próximo comandante da Fazenda.
O SBT News detalha a proposta ponto a ponto e explica o embate entre as visões econômicas a seguir:
O que cobra o mercado
Com a dívida pública chegando a 82,9% do PIBem setembro, o Brasil deve hoje cerca de R$ 11,1 trilhões, o maior nível desde 2021, na pandemia.
Esse valor representa o total que o governo tomou de empréstimos para financiar os gastos que excederam a arrecadação. A principal estratégia para obter esse dinheiro é a emissão de títulos públicos. Ao comprar um título, o dinheiro é emprestado para o governo em troca da devolução futura do valor, corrigido por juros.



