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Aumento na conta de luz pode impactar inflação em até 0,4%

Aneel irá promover aumento médio de 8%, que irá atingir quase 40% dos brasileiros

Quase 40% dos consumidores brasileiros — cerca de 35 milhões de unidades ativas — devem ser impactados pelo aumento da conta de energia que irá ocorrer ainda neste semestre, entre os reajustes já aprovados e os em análise na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). E isso afeta diretamente a inflação: é previsto um impacto entre 0,3% e 0,4% no mês em que a energia subir, segundo levantamento do Grupo Estudos do Setor Elétrico (Gesel).

Em alguns casos, o avanço foi de quase seis vezes o valor do IPCA projetado para 2026 no último boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nessa segunda-feira (20), em 4,80%.

Na decisão desta quarta-feira (22), a Aneel aprovou os reajustes de outras distribuidoras relevantes, como da CPFL Santa Cruz (18,89%), um dos mais elevados do ciclo, e o da CPFL Paulista (12,13%), que atende mais de 5 milhões de consumidores no interior de São Paulo. Também tiveram reajustes confirmados a Energisa Mato Grosso do Sul (12,1%), a Coelba (5,8%), a Energisa Mato Grosso (6,86%), a Neoenergia Cosern (5,4%), a Enel Ceará (5,78%) e a Energisa Sergipe (6,86%).

O professor do instituto de economia da UFRJ e coordenador geral do Gesel, Nivalde José de Castro, explica que alguns itens na conta de luz, como o custo de subsídios para energia eólica, solar e termoelétrica, subiram acima da inflação, culminando em contas sensivelmente mais caras.

A utilização de recursos ligados ao Uso de Bens Públicos (UBP) beneficiou parte das distribuidoras do Norte e Nordeste, fazendo com que as distribuidoras não sofressem impacto de dois dígitos.

Sul e sudeste apresentam situações diferentes. Com pouco ou quase nenhum uso do UBP, a região pode apresentar reajuste de 19,2% na Copel (PR) — ainda em consulta pública —, e já tem confirmado o reajuste de 18,89% na CPFL Santa Cruz.

Bandeira verde 

Castro explica que a cor da bandeira é definida antes de o mês iniciar. Atualmente, a cor vigente é a verde e deve permanecer assim em maio.

“Caso o El Niño diminua muito as chuvas (diminuindo a água dos reservatórios) e aumente a temperatura (mais ar-condicionado, mais consumo de energia elétrica), o governo terá que acionar as usinas termoelétricas, que são mais caras, aumentando a conta de energia elétrica e obrigando o governo a subir a bandeira tarifária para amarelo, vermelho 1 e vermelho 2, nesta sequência”, explica o acadêmico.

Embora estejamos em ano eleitoral, o professor acredita que o custo para um subsídio do governo seria muito alto, e não acredita que isso irá acontecer: “O impacto político existe, mas é pouco perceptível pelos consumidores, notadamente no inverno, quando o uso do ar-condicionado diminui bastante. E o governo não irá subsidiar, por ser economicamente difícil. Destacando que as classe menos favorecidas recebem energia subsidiada e as famílias mais pobres energia de graça quando o consumo é até 100 Kw”.

Reajustes aprovados

Em consulta pública

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