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Flávio x Lula: o que defendem para economia e trabalho

SBT News detalha, neste 2º turno da campanha presidencial, os programas de governo de Flávio Bolsonaro e Lula

O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputam o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, apresentam propostas diferentes para a economia e o mercado de trabalho. Entre os principais pontos de divergência estão o controle das contas públicas, a cobrança de impostos, a jornada de trabalho e o papel das empresas estatais.

Flávio propõe reduzir despesas governamentais, revisar regras tributárias, ampliar a participação privada na economia e flexibilizar relações de trabalho. Lula defende a continuidade de políticas de investimento público, valorização do salário mínimo e ampliação da proteção trabalhista. 

O SBT News comparou os programas de governo dos dois candidatos para o mandato de 2027 a 2030 e reuniu declarações feitas durante a campanha para mostrar o que cada um pretende fazer caso seja eleito.

O que dizem os planos de governo

Contas públicas e política fiscal

O que propõe Flávio Bolsonaro (PL):

+ Economia e trabalho: veja as propostas de Flávio na íntegra

O que propõe Lula (PT):

+ Economia e trabalho: veja as propostas de Lula na íntegra

Impostos e reforma tributária

O que propõe Flávio Bolsonaro (PL):

O que propõe Lula (PT):

Emprego, salário mínimo e escala 6×1

O que propõe Flávio Bolsonaro (PL):

O que propõe Lula (PT):

Trabalho por aplicativos e informalidade

O que propõe Flávio Bolsonaro (PL):

O que propõe Lula (PT):

Empreendedorismo e acesso ao crédito

O que propõe Flávio Bolsonaro (PL):

O que propõe Lula (PT):

Estatais, privatizações e investimentos

O que propõe Flávio Bolsonaro (PL):

O que propõe Lula (PT):

Concursos públicos e funcionalismo

O que propõe Flávio Bolsonaro (PL):

O que propõe Lula (PT):

O que os candidatos disseram durante a campanha

Além das propostas oficiais, os candidatos e suas equipes se posicionaram sobre medidas econômicas e trabalhistas em entrevistas e declarações públicas.

Escala 6×1

Lula apoia a PEC 221/2019, que prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso e sem redução salarial. A proposta está em discussão no Senado e ainda depende de aprovação parlamentar.

Flávio Bolsonaro manifestou apoio à PEC 12, que prevê um modelo alternativo de contratação por hora, com remuneração e direitos proporcionais ao tempo trabalhado. O trabalhador poderia optar entre o regime tradicional da CLT e o novo modelo, sujeito a regras específicas. Na terça-feira (13), Flávio afirmou, no entanto, que votará a favor do fim da escala 6×1.

“Eu estou rodando o Brasil. A maioria dos trabalhadores querem (sic) o fim da 6×1. Vou votar a favor do fim da 6×1, mas a gente defende algo ainda melhor, sempre”, disse.

Aposentadorias e benefícios previdenciários

Após a Folha de S.Paulo revelar, e o SBT News confirmar, que integrantes da equipe econômica de Flávio Bolsonaro estudavam desvincular os reajustes de aposentadorias dos ganhos reais do salário mínimo, em um pacote de ajuste fiscal estimado em R$ 200 bilhões, o candidato prometeu mantê-los acima da inflação, caso seja eleito.

O candidato também negou que pretenda alterar a correção de benefícios previdenciários e do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Privatizações

O economista Adolfo Sachsida, coordenador da área econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, afirmou que um eventual governo do candidato não privatizaria Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

A declaração esclarece o alcance do programa de governo, que prevê a retomada das desestatizações, mas não determina a venda de todas as empresas públicas.

Flávio critica cobrança automática de impostos

Flávio Bolsonaro declarou ser contrário ao split payment, mecanismo previsto na reforma tributária para separar e recolher automaticamente os impostos em determinadas operações comerciais.

Segundo o candidato, a medida pode prejudicar o capital de giro das empresas. O mecanismo integra a implementação gradual da reforma tributária, mas Flávio não apresentou, na declaração, um modelo alternativo completo.

Lula defende continuidade de políticas econômicas

O governo Lula 3 adotou medidas como o novo arcabouço fiscal, a reforma tributária sobre o consumo, a ampliação da isenção do Imposto de Renda e a retomada da política de valorização do salário mínimo.

Durante a campanha, Lula defendeu a continuidade dessas iniciativas, além de novos avanços na redução da jornada de trabalho e na proteção de trabalhadores de aplicativos.

Raio-X: o cenário da economia e do trabalho no Brasil

Raio-X da economia e do trabalho | SBT News

Dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Ministério do Trabalho e Emprego e do Banco Central mostram a situação do mercado de trabalho e das contas públicas às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

Raio-X da economia e do trabalho | SBT News

O que dizem especialistas

As propostas de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a economia e o mercado de trabalho revelam diferenças sobre o papel que o Estado deve desempenhar no desenvolvimento do país.

Enquanto o programa do petista atribui ao poder público a responsabilidade de estimular investimentos e regular as relações de trabalho, o do candidato do PL prioriza a liberalização dos mercados, a redução da estrutura administrativa e a flexibilização trabalhista. Para o professor e cientista político da ESPM Paulo Niccoli Ramirez, essa distinção aparece na própria linguagem dos documentos.

“No caso do Flávio Bolsonaro, os termos mercado e Estado aparecem de forma vinculada, o que demonstra que, de um ponto de vista econômico, o objetivo é a liberalização dos mercados, as privatizações, a flexibilização do trabalho”, afirma.

Já no programa de Lula, segundo Ramirez, predomina a ideia de desenvolvimento, com maior participação do poder público.

“O Estado como agente de desenvolvimento econômico, talvez uma nova versão do PAC, ou seja, de uma ação que envolva maiores gastos públicos na parte de obras públicas, infraestrutura e programas sociais”, destaca.

A cientista política Mayra Goulart, coordenadora do Laboratório de Partidos e Política Comparada (LAPPCOM) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), também identifica no papel do Estado a principal diferença entre as candidaturas. Ela destaca que o programa de Flávio dá maior espaço à negociação direta entre empregadores e empregados, enquanto o de Lula enfatiza a mediação estatal.

“Uma proposta que ganha centralidade no programa dele [Flávio], que é a questão das negociações individuais entre empregador e empregado, prescinde da mediação do Estado, por considerar que esses atores estão numa posição de relativa igualdade para negociar as condições”, explica.

Essa divergência se manifesta especialmente na discussão sobre o fim da escala 6×1. Lula defende a redução da jornada semanal para 40 horas, sem diminuição salarial, enquanto Flávio propõe maior flexibilidade nas relações de trabalho.

“É aí que aparece essa questão de maneira mais central, por isso que ela funciona como um divisor de águas. O programa do Flávio diz que o trabalhador pode negociar a escala que quiser, mas a questão é quem vai garantir que o salário dele permaneça igual”, questiona Goulart.

A pesquisadora também aponta diferenças nas propostas para o funcionalismo público. Segundo ela, a valorização dos servidores ganha maior destaque no programa de Lula, enquanto Flávio associa a redução do tamanho do Estado à necessidade de uma reforma administrativa.

Outro ponto de atenção são os trabalhadores de aplicativos. Para Goulart, a expansão desse tipo de ocupação torna urgente o debate sobre a proteção previdenciária de profissionais que, em muitos casos, não contribuem regularmente para a aposentadoria.

“A questão das plataformas dos aplicativos é uma bomba-relógio, porque a gente tem uma massa imensa de trabalhadores que não são assalariados e que não descontam, na sua maioria, para a Previdência. E aí, na hora de se aposentar ou quando ficarem doentes, não têm essa contribuição para arcar com esses custos”, alerta.

Na área tributária, a mestra em Políticas Públicas e pesquisadora do Núcleo de Pesquisas em Tributação do Insper Larissa Longo chama a atenção para a falta de detalhamento das propostas. Segundo ela, expressões como simplificação tributária e redução da burocracia aparecem nos programas sem que os candidatos expliquem precisamente como pretendem alcançar esses objetivos.

“As propostas são muito genéricas e abstratas. Tem muita coisa que é prometida em termos gerais, por exemplo, simplificação tributária. Todo mundo objetiva a simplificação tributária, mas é muito rara uma especificação do que exatamente eles estão querendo simplificar”, afirma.

Larissa observa que Flávio promete revisar e redimensionar a reforma tributária, com o objetivo de reduzir a carga sobre produção e consumo, mas não detalha quais dispositivos pretende modificar. Lula, por sua vez, defende a continuidade da implementação da reforma aprovada durante seu governo.

“O Flávio Bolsonaro fala de redução da carga sobre produção e consumo e de uma revisão, de um redimensionamento da reforma tributária, mas também não apresenta nenhuma proposta efetiva, nada que concretamente ele fale que vá reanalisar”, avalia.

A especialista ressalta ainda que prometer redução de impostos exige discutir o financiamento do Estado e os benefícios tributários concedidos a setores específicos da economia. A revisão dessas vantagens, segundo ela, enfrenta resistências políticas.

“Todo mundo prometeu redução de benefício, mas ninguém falou de quem. Porque, se eles falarem de quem vão reduzir o benefício, essa pessoa vai pagar a conta e vai começar a pagar mais. Então existe um custo político de reduzir os benefícios tributários, de reduzir os privilégios também”, explica.

Para o pesquisador do FGV Ibre Rafael Barros Barbosa, o próximo presidente terá como um dos principais desafios conter o crescimento da dívida pública sem comprometer políticas essenciais à população de baixa renda. Ele aponta que há espaço para rever despesas e aumentar a eficiência do gasto público, mas destaca as dificuldades dessas medidas.

“Boa parte do nosso gasto está vinculado a questões relacionadas às pessoas mais pobres. É um gasto direcionado para atendimento de serviços públicos de saúde ou para redistribuição de recursos para as pessoas mais pobres. Então é um tipo de corte de gasto muito sensível”, afirma.

Barbosa também pondera que a reforma tributária pode favorecer o crescimento econômico ao melhorar a distribuição dos investimentos, mas seus efeitos mais importantes serão graduais. Por isso, o próximo governo não poderá contar com resultados imediatos para resolver o desequilíbrio fiscal.

“A reforma tributária tenderá a ajudar porque a expectativa é que ela traga uma alocação mais adequada do capital na economia, o que pode aumentar a produtividade e, por consequência, aumentar o produto da economia. E aí isso ajudaria a reduzir a relação dívida-PIB”, explica.

Sobre a possibilidade de rever a reforma, como propõe Flávio Bolsonaro, o pesquisador diferencia ajustes em pontos ainda não definidos de uma mudança mais profunda nas regras aprovadas pelo Congresso. Para ele, reabrir toda a discussão representaria um risco, considerando o longo processo de negociação necessário para aprovar o novo sistema.

“Repensar, reiniciar o processo, eu considero algo bastante ruim do ponto de vista fiscal e do futuro da economia”, conclui.

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