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Liquidação do Banco Pleno era esperada e leva rombo no FGC a mais de R$ 50 bilhões

Instituição de Augusto Lima era uma “costela” do Master de Daniel Vorcaro, liquidado no ano passado

A liquidação extrajudicial do Banco Pleno, determinada nesta segunda-feira (18) pelo Banco Central, era algo esperado nos bastidores da política e do mercado financeiro pelo fato de a instituição ser considerada uma “costela” do Master, liquidado no ano passado. De acordo com fontes, o Pleno não tinha caixa para honrar compromissos nem no curto prazo, como pagamentos de Certificado de Crédito Bancário (CDBs), e a medida do BC tornou-se inevitável.

O Pleno foi vendido em 2025 pelo Master para Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. À época, as dificuldades de liquidez já eram nítidas, e o Banco Central exigiu aumento de capital – que veio, inclusive, de recursos próprios do banqueiro. A autoridade monetária também vetou novas emissões de CBDs por parte do Pleno para formalizar a transação.

Na prática, Lima assumiu um passivo bilionário do Master sem poder se financiar com CDBs. Nas últimas semanas, técnicos do BC notaram que o Pleno não conseguiria superar o impasse financeiro e determinou a liquidação, anunciada nas primeiras horas desta segunda-feira.

Com liquidação, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) agora terá de pagar R$ 4,9 bilhões a credores de CDBs do Pleno, segundo estimativas da própria entidade. O Pleno tem uma base estimada de 160 mil investidores com depósitos elegíveis a garantias. A nova “fatura” eleva o rombo no FGC a mais de R$ 50 bilhões: o fundo já precisa arcar com os R$ 40,6 bilhões de clientes do Master e R$ 6,3 bilhões dos credores do Will Bank.

O FGC é um fundo abastecido com recursos dos próprios bancos brasileiros, que terão de fazer uma recomposição. As instituições financeiras vão antecipar parcelas que seriam pagas ao longo dos próximos meses.

Apesar da origem comum entre o Master e o Pleno, o FGC esclarece que as duas instituições não integram o mesmo conglomerado. O Banco Central, inclusive, escolheu um liquidante diferente para assumir o caso da empresa de Augusto Lima: será o advogado José Eduardo Victoria. O liquidante do Master e Eduardo Félix Bianchini.

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