Há vitórias que ultrapassam o resultado das urnas. Carregam histórias, renúncias, cicatrizes e uma coragem que nem sempre o mundo consegue enxergar.
A vitória de Mailza Assis ao Governo do Acre, neste domingo, 25 de outubro, tem um significado especial. Pela primeira vez, os acreanos elegeram uma chapa formada por duas mulheres para governar o estado. Mailza e Jéssica Sales escrevem, juntas, um capítulo inédito da nossa história política.
Mas confesso que, ao acompanhar essa conquista, meu pensamento foi muito além da eleição.
Pensei em quantas vezes nós, mulheres, precisamos ser fortes quando tudo o que gostaríamos era poder descansar. Nas vezes em que engolimos o choro, silenciamos nossas dores, enfrentamos julgamentos e seguimos em frente, mesmo quando ninguém parece compreender o peso que carregamos.

Talvez seja por isso que a vitória de Mailza me toque de maneira tão particular. Porque, antes de enxergar a governadora, enxergo a mulher. E, como tantas outras mulheres, conheço o peso das responsabilidades, das renúncias e das batalhas que travamos em silêncio. Cada uma à sua maneira, com suas próprias dificuldades, sonhos e conquistas. Não somos iguais em nossas histórias, mas compartilhamos muitos dos desafios de ser mulher. E talvez seja essa a beleza desse momento: olhar para a conquista de outra mulher e sentir uma alegria que também nos pertence.
A vida pública exige muito de qualquer pessoa, mas ainda impõe às mulheres uma cobrança diferente. Precisamos demonstrar firmeza sem perder a sensibilidade, exercer autoridade sem sermos consideradas arrogantes e provar nossa capacidade até mesmo quando nossa trajetória já fala por nós.
Não deveria ser assim. E é justamente por isso que ver duas mulheres chegarem juntas ao comando do Acre merece uma reflexão que vai além das preferências políticas.
É claro que a presença feminina no poder, por si só, não resolve as desigualdades que ainda enfrentamos. A representatividade ganha verdadeiro sentido quando se transforma em oportunidades, respeito, proteção e melhores condições de vida. E essa será uma das grandes responsabilidades de Mailza e Jéssica.
A vitória nas urnas merece ser celebrada. O exercício do poder, acompanhado e cobrado. Uma coisa não diminui a outra. Pelo contrário, torna ainda maior a importância desse momento.
Desejo que ambas tenham sabedoria para enfrentar os dias difíceis e que nunca precisem abrir mão da sensibilidade para demonstrar força. Que possam olhar para trás, reconhecer com orgulho tudo o que superaram e, principalmente, honrar a confiança recebida. Afinal de contas, há mulheres que chegam ao poder. E há aquelas que, ao chegar, fazem outras mulheres se enxergarem mais longe.
Por Dayana Maia