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Ucrânia reporta maior ataque do ano em meio a reunião com Rússia e EUA

Pelo menos uma pessoa morreu e 23 ficaram feridas nas duas maiores cidades do país

A Rússia lançou o maior ataque aéreo noturno contra a Ucrânia deste ano, disseram autoridades locais neste sábado (24), horas depois de negociadores de Kiev, Moscou e Washington se reunirem para o primeiro encontro trilateral conhecido desde o início da guerra.

As negociações trilaterais de dois dias entre a Ucrânia, a Rússia e os Estados Unidos, realizadas em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, foram concluídas, informou a delegação ucraniana.

A agência de notícias estatal russa RIA Novosti também informou que as negociações foram concluídas neste sábado (24), com um correspondente afirmando que a delegação russa havia retornado ao hotel.

Entre as duas rodadas de negociações, ataques com mísseis e drones atingiram a capital ucraniana, segundo a força aérea do país, que acionou as defesas aéreas. Jornalistas da CNN em Kiev relataram ter ouvido explosões.

Pelo menos uma pessoa morreu e quatro ficaram feridas pelos impactos, segundo o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko. Ele acrescentou que a queda de destroços causou incêndios e danos a prédios, deixando quase 6.000 blocos de apartamentos sem aquecimento e outras partes da cidade sem abastecimento de água.

Ataques em Kharviv

Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, no nordeste do país, também foi alvo de ataques – uma maternidade e um dormitório para deslocados internos foram danificados, segundo o prefeito Ihor Terekhov. Pelo menos 19 pessoas ficaram feridas, incluindo uma criança.

No total, a Rússia lançou mais de 370 drones e 21 mísseis durante a noite, tendo como outros alvos as cidades Sumy e Chernihiv, afirmou o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky.

Ele acrescentou que os ataques se concentraram no setor energético da Ucrânia, que é “crucial” durante o rigoroso inverno.

Os ataques ocorreram pouco depois de delegações de ambos os países terem concluído o primeiro dia de negociações com representantes dos EUA.

Andamento das negociações

Segundo a agência ucraniana TASS, o território continua sendo o principal ponto de discórdia nas negociações. Antes do início das conversas, era amplamente aceito que o território era a única questão crucial a ser resolvida.

O Kremlin reiterou a posição da Rússia de que a Ucrânia deve se retirar da região de Donbas, no leste do país, o que a Ucrânia tem rejeitado repetidamente.

A região de Donbas é formada pelas duas regiões ricas em carvão, Donetsk e Luhansk, que antes constituíam o coração industrial da Ucrânia. A região possui uma população significativa de língua russa. E foi em Donbas que a missão de Putin para desestabilizar e conquistar a Ucrânia teve início em 2014.

A região também abriga o “cinturão de fortalezas” de cidades industriais, ferrovias e estradas que formam a espinha dorsal da defesa da Ucrânia e abastecem a linha de frente. Kiev passou anos fortificando essa área, e perdê-la deixaria o restante do leste da Ucrânia totalmente vulnerável.

A Rússia enviou uma equipe militar para participar das negociações em Abu Dhabi, incluindo um alto espião e chefe da inteligência militar; a Ucrânia enviou negociadores de alto nível, incluindo diplomatas e autoridades de segurança; e os EUA foram representados pelo enviado do presidente Donald Trump, Steve Witkoff, pelo genro de Trump, Jared Kushner, e pelo conselheiro da Casa Branca, Josh Gruenbaum.

O governo Trump pressionou a Ucrânia para que aceitasse um acordo de paz, apesar das preocupações generalizadas de que tal acordo pudesse favorecer Moscou .

Quase quatro anos após lançar uma invasão em grande escala contra a Ucrânia, a Rússia ocupa cerca de 20% do território reconhecido pelo direito internacional como parte da Ucrânia soberana. Isso inclui quase toda a região de Luhansk e partes das regiões de Donetsk, Kherson e Zaporizhzhia.

Após o término do primeiro dia de negociações na sexta-feira (23), o principal negociador da Ucrânia, Rustem Umerov, escreveu no X que a reunião teve como foco alcançar uma “paz digna e duradoura” e agradeceu aos EUA pela mediação.

Zelensky adotou um tom cauteloso, afirmando que era “cedo demais” para tirar conclusões das conversas de sexta-feira.

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