Senador enfrentou desgaste ao votar com o governo na pauta trabalhista, e agora tenta jogar contradição política no Congresso no colo do PT
A PEC da Segurança Pública, que deve ser votada nesta quinta-feira (15) no Senado, tornou-se o segundo round do “duelo legislativo” entre os candidatos Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Depois de ser encurralado pela dobradinha do Planalto e do Centrão e se ver obrigado a dar um voto envergonhado ao fim da escala 6×1, como mostrou a coluna, o candidato de oposição à Presidência da República vê agora uma oportunidade de “revanche”.
Enquanto todo o Congresso acompanhava a votação da redução da jornada de trabalho, o coordenador da campanha bolsonarista, senador Rogério Marinho (PL-RN), apresentou ontem uma emenda à PEC da Segurança Pública para reduzir a maioridade penal para 16 anos. Crimes como tortura, tráfico de drogas, terrorismo e organização criminosa teriam uma régua ainda mais dura, de 14 anos.
O tema tem apoio de parte expressiva do eleitorado. Por isso, fragiliza a mobilização da base de Lula a 10 dias das eleições, avaliam expoentes da oposição. Flávio, após ficar exposto politicamente por ter votado a favor da PEC trabalhista que sempre criticou, tenta virar o jogo e imputar ao PT — historicamente contrário à redução da maioridade penal — o selo da contradição na política.
O movimento foi percebido pela campanha de Lula, que já deflagrou uma reação para amenizar o desgaste do presidente. O líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE), recolhe assinaturas para uma emenda intermediária: redução da maioridade penal para 16 anos apenas para crimes hediondos, como mostrou o colunista Túlio Amâncio.
Nos bastidores, a tropa de choque de Lula assume o desconforto em encampar a medida, mas se vê sem saída em meio aos holofotes da campanha eleitoral. A emenda de Camilo Santana, argumentam seus defensores, porém, ajudaria a afastar do PT a pecha de “defensor de bandido”, utilizada pelos adversários.
De quebra, o dispositivo viabilizaria a aprovação da PEC e, em seguida, a criação do Ministério da Segurança Pública por Lula na reta final da campanha.
Na prática, o governo ensaia “entregar os anéis para ficar com os dedos”; ceder à redução da maioridade penal como um “preço” para neutralizar a reação de Flávio Bolsonaro à aprovação do fim da escala 6×1.
