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Quando a violência vence, todos perdem.

 Por Dayana Maia, jornalista e comunicadora em Cruzeiro do Sul.


Os acontecimentos dessa quarta-feira em Cruzeiro do Sul, que terminaram com a morte de dois jovens durante uma tentativa de assalto, despertam sentimentos difíceis de conciliar. Há o alívio de saber que pessoas inocentes foram preservadas. Há o reconhecimento de que a atuação policial, diante de uma ameaça concreta, teve como objetivo proteger vidas. Mas há também uma profunda tristeza ao perceber que, mais uma vez, a violência interrompeu precocemente a história de jovens que mal começavam a vida adulta.

A rotina de um policial talvez seja uma das mais incompreendidas pela sociedade. A cada plantão, ele sai de casa sem a certeza de que voltará. Em frações de segundo, precisa tomar decisões que podem salvar vidas, mas mudar a sua e a de outras pessoas para sempre. Depois de um confronto, mesmo quando age dentro da lei e no estrito cumprimento do dever, carrega o peso emocional de uma experiência que dificilmente será esquecida. São homens e mulheres que também têm pais, mães, filhos, esposas e maridos esperando por seu retorno ao fim do expediente.

Por outro lado, é impossível não refletir sobre a juventude que se perde pelo caminho da violência. Aos 18 e 21 anos, esses rapazes ainda tinham toda uma vida pela frente. Em algum momento, porém, fizeram escolhas que os conduziram a um desfecho irreversível. É uma realidade dura, que nos leva a pensar sobre a importância da família, da educação, das oportunidades e dos valores capazes de oferecer novos horizontes aos nossos jovens.

E talvez a maior dor dessa história não esteja apenas na cena do confronto, mas no silêncio que fica depois dele. É a dor de uma mãe que vê partir um filho. Independentemente das circunstâncias, perder um filho é uma das experiências mais devastadoras que um ser humano pode enfrentar. Para uma mãe, permanece a lembrança da criança que um dia embalou nos braços, ensinou a caminhar e sonhou ver construir uma vida.

Também não podemos esquecer de quem estava dentro daquela loja e de quem passava pelo local. Funcionários que saíram de casa apenas para cumprir mais um dia de trabalho, clientes em busca de um atendimento e pessoas que transitavam pela rua tiveram suas vidas colocadas em risco em questão de segundos. Muitos voltaram para casa levando consigo o medo, a tensão e lembranças que dificilmente serão apagadas. A violência também deixa feridas invisíveis.

Da mesma forma, não é justo atribuir ao policial a responsabilidade por uma tragédia cuja origem está na escolha pela violência e pela prática do crime. O policial não sai de casa procurando confrontos. Sua missão é proteger vidas e garantir que trabalhadores, comerciantes, clientes e cidadãos possam exercer suas atividades com segurança. E, ao cumprir esse dever, também coloca a própria vida em risco, sem saber se voltará para o abraço da sua família.

Que esse episódio nos convide a uma reflexão profunda. Precisamos valorizar aqueles que dedicam a vida à proteção da sociedade, fortalecer políticas de prevenção à violência, investir na educação, no esporte, na cultura, na geração de oportunidades e no fortalecimento das famílias. Reprimir o crime é necessário, mas impedir que nossos jovens sejam atraídos por esse caminho talvez seja o maior desafio de todos.

Quando um policial arrisca a própria vida para proteger outras, quando trabalhadores têm sua rotina interrompida pelo medo, quando cidadãos inocentes testemunham cenas de violência e quando mães choram a perda de seus filhos, toda a sociedade sofre. Que essa tragédia nos recorde que a vida é o nosso bem mais precioso e que a verdadeira vitória será o dia em que menos famílias precisarem vestir o luto, menos policiais precisarem sacar suas armas e menos jovens acreditarem que a violência pode lhes oferecer um futuro. Porque, no fim, toda vida preservada será sempre a maior das conquistas.

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