Técnico de enfermagem, de 24 anos, admitiu crime ao ver imagens de circuito interno; ele é apontado como executor dos crimes. Duas colegas, de 28 e 22 anos, são acusadas de acobertar mortes; os três estão presos.
Os três técnicos de enfermagem suspeitos de terem assassinado três pacientes que estavam internados no Hospital Anchieta em Taguatinga, no Distrito Federal, foram identificados:
- Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos;
- Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos;
- Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos.
As identidades foram confirmadas pela Polícia Civil do Distrito Federal e pelo Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren) à TV Globo. Os três suspeitos estão presos. O g1 tenta contato com as defesas dos suspeitos.
O técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo é apontado como o principal executor dos crimes. Ele confessou em depoimento à Polícia Civil na segunda-feira (20). Marcela Camilly também confessou.
Segundo a investigação, o homem injetou doses altas de um medicamento nos pacientes – ou seja, usou o produto como um veneno. Em uma das vítimas, ele também injetou desinfetante na veia (saiba mais abaixo).
Além dele, as duas técnicas de enfermagem, de 28 e 22 anos, são acusadas de participar de dois dos três crimes, “dando cobertura” ao outro técnico preso.
De acordo com o delegado Wisllei Salomão, coordenador da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), o técnico de 24 anos chegou a negar o crime em um interrogatório, mas confessou após ser confrontado com vídeos do circuito interno de segurança do hospital que mostram a ação.
Na delegacia, a acusada de 22 anos também negou o crime inicialmente, porém reconheceu ao ver as imagens e disse que se arrependia de não ter impedido o colega.
Ainda segundo a Polícia Civil, o técnico trabalhava há cinco anos na área. Após abrir a investigação interna, o Hospital Anchieta demitiu os três suspeitos. O homem já estava trabalhando em outro local: uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica de outro hospital particular em Taguatinga.
A investigação continua para saber se existem outras vítimas no Anchieta ou em outros hospitais em que o técnico trabalhou.
De acordo com a diretora do Instituto Médico Legal, Márcia Reis, os pacientes tinham gravidades diferentes. Em todos os casos, a piora súbita das vítimas chamou a atenção do hospital e dos investigadores.
Nas imagens das câmeras de segurança da UTI, onde os pacientes estavam internados, a Polícia Civil percebeu que os medicamentos eram aplicados em momentos de piora das vítimas.
As vítimas são:

- a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, 75 anos, de Taguatinga;
- o servidor público João Clemente Pereira, 63 anos, do Riacho Fundo I;
- o servidor público Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos, de Brazlândia.
Segundo a Polícia Civil, o técnico de enfermagem o usou uma seringa para fazer 13 aplicações de desinfetante em uma das vítimas, uma mulher de 75 anos.
“Em um dos casos, o medicamento acabou — ele injetou cerca de 4 vezes esse medicamento. Essa vítima teve seis paradas cardíacas. Como ela não faleceu, e como o medicamento havia acabado, ele utilizou de um desinfetante que estava na pia do leito. Ele encheu cerca de 13 seringas e injetou diretamente na veia da paciente, e isso também causou o óbito dela”, disse o delegado Wisllei Salomão.
Em outra ocasião, o mesmo técnico usou a senha de um médico da instituição para emitir uma receita fraudulenta do medicamento.
Ele buscou o remédio na farmácia e aplicou nas três vítimas, sem consultar a equipe médica. A Polícia Civil do DF decidiu não divulgar o nome do medicamento.




